O Que É Ser Bonito?

Caros amigos, vocês acham que o conceito de beleza é universal? Que o que nós achamos bonito hoje, sempre foi bonito, e sempre será bonito? Que culturas diferentes consideram as mesmas pessoas sempre bonitas? Ledo engano! Ledo engano! Vamos pegar dois bons exemplos para todos entenderem do que eu estou falando. A expressão "deus grego" e o padrão de beleza gay pré-Aids (década de 1960-1970), o look da década de 1980 e o pós-Aids (a partir de 1990).


Os Deuses Gregos
Desde o Renascimento Italiano, os deuses gregos passaram a expressar sinônimos de beleza, contudo, apesar de você encontrar elogios como Apolo, Adônis e Vênus desde então, não acreditem que Apolo, Adônis ou Vênus sejam modelos imutáveis aos quais nós copiamos, muito pelo contrário, Apolo e Vênus já foram magros, fortes, musculosos ou gordos, depende da época em que eles eram pensados. O Renascimento mesmo preferia homens magros e definidos e elogiava as mulheres gordinhas; o século XIX do Romantismo admirava os homens pálidos, magros e definhando e as mulheres com caras abatidas e esquálidas; o século XX tem, no entanto, vários modelos, contudo falemos dos modelos de beleza gays, para todo mundo entender como um deus grego pode significar coisas extremamente diversas, dependendo do tempo.


Beleza Pré-AIDS (1960-1970)

Um importante historiador francês, Michel Foucault, descreve os homens que ele, também gay, observava nessas décadas anteriores a difusão da AIDS como uma epidemia grave, usando bigodes, magros, com muitos pêlos pelo corpo. É um estreotipo que pretende ressaltar a masculinidade e a testosternona. Ser homem é ter pêlos e conservá-los. O bigode e a barba são bons exemplos disso, afinal, este pêlos precisam de um cuidado maior dada a exposição que passam, tal como o cabelo. Ser homem e ser um homem bonito, neste caso, era encaixar-se neste padrão. É aqui que surge a imagem de um magro homossexual vestido em calças de couro, jaqueta de couro, com fartos pêlos no peito e estes sempre visíveis e, é claro, um grandioso bigode.




Beleza da Década de 1980

Opondo-se ao período anterior temos a década de 1980, considerada os anos perdidos. Esta primava exatamente pelo oposto, se nos anos anteriores, ser homem era o bonito, na década de 1980 ser andrógino era mais interessante. Resultado das influências das bandas de punk como New York Dolls, Patti Smith e o Iggy Pop, ex-vocalista dos Stooges, além de David Bowie e os livros de William Burroughs, colocar constantemente em dúvida se você era homem ou mulher era charmoso, moderno e bonito. Ney Matogrosso fez muito isso, para citar um exemplo brasileiro, também Mick Jagger, Axl Rose e o Kiss idem. Freddie Mercury, do Queen, no entanto parecia extamente uma fusão das duas opções.




Beleza do Pós-AIDS (a partir de 1990)

Tudo começou com anúncios na revista gay americana, Out, em que os modelos abandonaram os visual magro e peludo, associado a AIDS, e também a androginia estigmatizada pela homofobia, surgia então o modelo de beleza chamado de espartano, e ironicamente consagrado pelo filme 300, em que homens abandonam todos os pêlos naturais ao seu corpo e gastam horas e horas em academias moldando músculos para se enquadrar num padrão instituido pela competição de Mr. Universo. É o Schwarzenegger fazendo escola!

1 comentários:

Arsênico disse...

uiA!... adorei o post... revelador!

Mas confesso que me molho toda vez que vejo algum clipe do Freddie Mercury com aquele bigode farto e o peito repleto de pelos!!! uia meopai!!!

Acho que nasci em época errada néah?

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:D