Retomando A Ordem

Se não souberam, esta semana foi divulgado o texto do jornal "O Parasita", veículo dos alunos da Faculdade de Farmácia da USP, a Universidade de São Paulo, a principal universidade do país. Este é o texto do jornal, na íntegra:

"Lançe-merdas e Brega será na Faixa - Ultimamente nossa gloriosa faculdade vem sendo palco de cenas totalmente inadmissíveis. Ano passado, tivemos o famoso episódio em que 2 viadinhos trocaram beijos em uma festa no porão de med. Como se já não bastasse, um deles trajava uma camiseta da Atlética. Porra, manchar o nome de uma instituição da nossa faculdade em teritório dos medicus não pode ser tolerado.

Na última festa dos bixos, os mesmos viadinhos citados acima, aprontaram uma pior ainda. Os seres se trancaram em uma cabine do banheiro, enquanto se ouviam dizeres do tipo "Aí, tira a mão daí." Se as coisas continuarem assim, nossa faculdade vai virar uma ECA.

Para retornar a ordem na nossa querida Farmácia, O Parasita lança um desafio, jogue merda em um viado, que você receberá, totalmente grátis, um convite de luxo para a Festa Brega 2010. Contamos com a colaboração de todos."
(Fonte: www.votebrasil.com)

Então começando minha leitura crítica. Os dois viadinhos citados no texto foram os que, tempos atrás, foram expulsos de uma festa na USP, novamente, por terem se beijado. E muita gente aqui pode pensar que eles se expuseram demais, mas convenhamos, todos tem os mesmos direitos, ou não? A expulsão dos dois garotos não foi tratada pela USP como algo a se considerar. Os alunos de medicina poderiam ser punidos, poderiam ter sido proibidos de realizar novos eventos, de reunir-se sob o nome da universidade. Poderiam sim, contudo a impunidade reinou na bela terra do Brasil. E um segundo episódio tende a acontecer.
Este jornal, "O Parasita", é este segundo episódio. Ele diz claramente que episódios como o da festa da medicina não pode ser tolerado e que homossexuais ofendem a honra da instituição da qual eles fazem parte. Então, em poucas palavras, e eu ainda nem sai do primeiro parágrafo, o imputável autor do texto propõe que os "viadinhos" sejam expulsos e proíbidos de frequentar a universidade pública e gratuita que seu status de cidadão brasileiro dá-lhe o direito. "O Parasita" nega a todos os gays a cidadania brasileira em um parágrafo. E ainda dizem que eu sou paranóico.
"Se as coisas continuarem assim, nossa faculdade vai virar uma ECA". A ECA é a Escola de Comunicação e Artes e é uma tradição nas universidades que estas faculdades, além dos cursos de Humanas, concentrem os únicos homossexuais da universidade. Digo tradição porque o antigo CCA - Centro de Comunicação e Artes - da UFPE é traduzido como Centro de Contaminação em Aids, para citar um exemplo, a universidade inclusive mudou o nome do centro, agora CAC, e ninguém tira da minha cabeça que foi por causa disso. Em poucas linhas, que fazem o segundo parágrafo nosso diletíssimo autor propõe uma outra possibilidade, já que é impossível impedir a entrada dos homossexuais a instituição, que eles sejam relegados a espaços seus, já ouviu falar em guetos? "Aos negros já demos o futebol, aos viados a gente dá as artes, assim todo mundo fica feliz, né?", tenho certeza que eu um dia ainda vou ouvir isso da boca de alguém.
Para então "retornar a ordem" nosso inspirado autor propõe que a agressão física seja os meios utilizados. Expulsem-nos daqui e tomemos de volta o lugar que é nosso por direito. É o que ele diz. Em resumo, nazista, xenófobo e homofóbico é o que nosso autor é, e não pensem que isso é algo que não pode atingir você, porque quando pessoas como essa conseguirem "exterminar" seu primeiro inimigo, aqui os gays, logo se voltaram aos próximos - e minha intuição vota, como tratamos de São Paulo, dos nordestinos - e depois os negros. Aposta quanto que este autor é branco? Preconceito meu?

Despedida...
















Bem pessoal, minha era Fino Trato chegou ao fim.
Fiz esse post para agradecer a atenção de vocês que frequentam o blog e dizer que foi bom!

BeijO e AbraçO,

Ferdinando

"Despedir-se de um amor, é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente." (Martha Medeiros)

Pra quem gosta de uma Máfia...















Ahhh!!! Se todos os mafiosos fossem assim...


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BeijO e AbraçO...


Ferdinando!

Feliz Páscoa...

BeijO e AbraçO,

Ferdinando...

E elas voltaram...

As "Pussycat Dolls" voltaram pro nosso blog.

Dessa vez até com (d) efeitos especiais.
Close na maquiágem da Nicole.



Fico pensando é na cara do povo desmontando as barracas e as bunitas lá se jogando.











Vou confessar que adoro esses vídeos. Me divirto bastante.




O Que É Ser Bonito?

Caros amigos, vocês acham que o conceito de beleza é universal? Que o que nós achamos bonito hoje, sempre foi bonito, e sempre será bonito? Que culturas diferentes consideram as mesmas pessoas sempre bonitas? Ledo engano! Ledo engano! Vamos pegar dois bons exemplos para todos entenderem do que eu estou falando. A expressão "deus grego" e o padrão de beleza gay pré-Aids (década de 1960-1970), o look da década de 1980 e o pós-Aids (a partir de 1990).


Os Deuses Gregos
Desde o Renascimento Italiano, os deuses gregos passaram a expressar sinônimos de beleza, contudo, apesar de você encontrar elogios como Apolo, Adônis e Vênus desde então, não acreditem que Apolo, Adônis ou Vênus sejam modelos imutáveis aos quais nós copiamos, muito pelo contrário, Apolo e Vênus já foram magros, fortes, musculosos ou gordos, depende da época em que eles eram pensados. O Renascimento mesmo preferia homens magros e definidos e elogiava as mulheres gordinhas; o século XIX do Romantismo admirava os homens pálidos, magros e definhando e as mulheres com caras abatidas e esquálidas; o século XX tem, no entanto, vários modelos, contudo falemos dos modelos de beleza gays, para todo mundo entender como um deus grego pode significar coisas extremamente diversas, dependendo do tempo.


Beleza Pré-AIDS (1960-1970)

Um importante historiador francês, Michel Foucault, descreve os homens que ele, também gay, observava nessas décadas anteriores a difusão da AIDS como uma epidemia grave, usando bigodes, magros, com muitos pêlos pelo corpo. É um estreotipo que pretende ressaltar a masculinidade e a testosternona. Ser homem é ter pêlos e conservá-los. O bigode e a barba são bons exemplos disso, afinal, este pêlos precisam de um cuidado maior dada a exposição que passam, tal como o cabelo. Ser homem e ser um homem bonito, neste caso, era encaixar-se neste padrão. É aqui que surge a imagem de um magro homossexual vestido em calças de couro, jaqueta de couro, com fartos pêlos no peito e estes sempre visíveis e, é claro, um grandioso bigode.




Beleza da Década de 1980

Opondo-se ao período anterior temos a década de 1980, considerada os anos perdidos. Esta primava exatamente pelo oposto, se nos anos anteriores, ser homem era o bonito, na década de 1980 ser andrógino era mais interessante. Resultado das influências das bandas de punk como New York Dolls, Patti Smith e o Iggy Pop, ex-vocalista dos Stooges, além de David Bowie e os livros de William Burroughs, colocar constantemente em dúvida se você era homem ou mulher era charmoso, moderno e bonito. Ney Matogrosso fez muito isso, para citar um exemplo brasileiro, também Mick Jagger, Axl Rose e o Kiss idem. Freddie Mercury, do Queen, no entanto parecia extamente uma fusão das duas opções.




Beleza do Pós-AIDS (a partir de 1990)

Tudo começou com anúncios na revista gay americana, Out, em que os modelos abandonaram os visual magro e peludo, associado a AIDS, e também a androginia estigmatizada pela homofobia, surgia então o modelo de beleza chamado de espartano, e ironicamente consagrado pelo filme 300, em que homens abandonam todos os pêlos naturais ao seu corpo e gastam horas e horas em academias moldando músculos para se enquadrar num padrão instituido pela competição de Mr. Universo. É o Schwarzenegger fazendo escola!

Pierre Et Gilles

Pierre Commoy, o fotógrafo, e Gilles Blanchard, o pintor, são um casal francês gay que se conheceram em 1976 e no ano seguinte começaram a sua produção artística. Seu trabalho consiste em fotografias retocadas de forte apelo homoerótico que brinca sobretudo com motivos da cultura popular européia, imagens religiosas (sobretudo com uma certa fixação em São Sebastião) e também a pornografia gay. Com inúmeros grandes modelos e artistas diante de suas lentes, passaram as décadas finais do século XX em franca ascensão se tornando hoje parte importante da arte contemporânea mundial.




MARINAS